Prefeito compra 298 caixões para doar onde menos de 100 morrem ao ano
A ação virou motivo de piada entre os moradores de Feijó.
A ação virou motivo de piada entre os moradores de Feijó: por ano, morrem menos de cem pessoas na cidade, que tem cerca de 32 mil habitantes e fica a 400 km da capital do Estado, Rio Branco.
O levantamento do número de óbitos foi realizado no cartório municipal pelo Sindicato dos Moveleiros, que contesta a licitação na justiça.
"Teria que acontecer aqui uma daquelas pragas do Egito para dar conta desses caixões", afirma Antônio Messias, do sindicato.
Faz sentido. Para que nenhuma urna mortuária fique "sobrando", o número de mortes em Feijó precisa triplicar. Em média, segundo a pesquisa do sindicato, há
96 enterros por ano.
MORTE CONFIRMADA
De acordo com o prefeito Merla Albuquerque (PT), os caixões deverão ser distribuídos até agosto de 2014 para famílias de baixa renda, por meio de um programa de auxílio social.
O valor da licitação, de R$ 86 mil, também é polêmico.
"Dão a entender que a gente comprou todos os caixões, mas não é isso. A prefeitura só vai pagar os que forem entregues", diz o prefeito.
O sindicato contesta o preço da unidade. A entidade alega que um caixão infantil é comercializado por R$ 160, mas a prefeitura desembolsará R$ 250 por cada um.
"A questão do preço é indiferente. Quem se achar prejudicado que recorra à Justiça", respondeu.
A reportagem tentou, sem sucesso, entrar em contato com as fornecedoras dos caixões, Dila Feijó e LM.
No mês de julho, a prefeitura doou 21 unidades para famílias carentes, antes de realizar a licitação.
FONTE: Folha de São Paulo

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